Hélène Escriva - Eufónio

Hélène Escriva

Eufónio

Participou na edição de 2019

Com três anos de idade, ela assistiu ao seu primeiro concerto e saiu completamente encantada. Em um salão com assentos vermelhos, os instrumentos de sopro de um quinteto ressoavam. Hélène se lembra de ter deixado seu assento numerado para ir ao palco e apontar para o que a fascinava diante de toda a plateia: um tocador de tuba tão imponente quanto seu instrumento. Mal sabia ela que ele lhe entregaria um prêmio anos depois, mas sentiu-se compelida a pegar qualquer objeto em que pudesse soprar. Começando com um regador, a menina logo começou a tocar sua primeira tuba. Ela abraçou essa tradição familiar, que viu a casa se organizar em uma verdadeira orquestra de sopros: a mãe no saxofone, o pai no clarinete, seus irmãos mais velhos na trompa e no trombone, e o caçula no trompete.

Os anos passaram voando, pontuados por idas à biblioteca para pegar emprestado dezenas de CDs, alternando entre salsa e as melodias arrebatadoras de Zappa; os anos ressoaram com o ritmo das viagens de carro, a música de sua mãe tocando ao fundo – árias de ópera, volume no máximo, janelas abertas. Hélène seguiu sua vocação por meio de um currículo escolar adaptado, impondo a si mesma uma disciplina tão rítmica quanto um metrônomo. O ABC para se tornar uma virtuosa do eufônio. A admiração pelo poder de uma centena de músicos tocando Shostakovich, as incontáveis ​​horas de ensaio; as audições, as competições e as vitórias; os dias debruçada sobre as partituras e as noites dedicadas ao estudo de Bach, tudo isso lhe permitiu ingressar no Conservatório de Paris.

Ali, ela compreendeu as regras imutáveis ​​desse microcosmo onde, para ter sucesso, era preciso seguir apenas um caminho: participar de mais competições, mais audições e repetir . A musicista começou a se libertar da rotina ao fundar a Saxback, uma orquestra de câmara na qual tocou por dez anos. Tendo se especializado em um instrumento recente demais para ter lugar em orquestras sinfônicas, ela conseguiu conquistar um nicho para si mesma e se apresentar em todo o mundo, da Ásia aos Estados Unidos. Determinada a explorar, a ir além dos limites, Hélène adicionou o trompete baixo ao seu repertório. Mas foi embarcando em uma aventura de quatro anos ao lado de James Thierrée que ela contrariou essa vida de solista, uma vida da qual começava a se cansar.

Com a Compagnie du Hanneton, a instrumentista de eufônio descobriu o que tanto lhe faltava: a experiência de fazer parte de uma trupe, tocando música clássica e, ao mesmo tempo, libertando-se das partituras convencionais. Explorando a pantomima, a dança e o teatro, percebeu que seu talento instrumental poderia sustentar criações na intersecção de diversas disciplinas. Um timbre mais selvagem, um tanto indomável. Influenciada tanto pelos riffs do Pink Floyd quanto pelas pinceladas de Toulouse-Lautrec, Hélène permanece fiel à sua reputação de nunca ficar parada e ao seu amado instrumento – florescendo em novos espaços, ela promete a si mesma performances vibrantes e coloridas.